sexta-feira, 24 de junho de 2011

O básico de Paris

Tive que tomar uma decisão difícil para ir para Paris. Eu estava com infecção na garganta e febre, me sentindo muito mal mesmo. Para resolver de verdade, só indo no médico e tomando antibiótico. Mas médico para estrangeiros só particular e caro. E era fim de semana. Eu nem sabia onde procurar. Quem eu conheço, nunca foi ao médico aqui. Se eu não viajasse, iria perder o valor da passagem, pois já tinha feito check-in online e não poderia mudar o bilhete.

Bom, lá fui eu na cara e na coragem. Afinal, eu estaria sozinha em Dublin ou em Paris (embora que em Dublin, pelo menos, eu me viro no inglês. Em francês, só sei as frases mais básicas). Tinha medo de piorar e precisar ficar internada em hospital (como já aconteceu no Brasil quando eu tenho esse tipo de infecção).

Na hora de pegar o voo, na madrugada de segunda, estava me sentindo muito mal mesmo. Não conseguia ficar em pé na fila do embarque e sentia que iria vomitar (o que não aconteceu). Pensei em desistir. Mas, segui em frente. Surpreendentemente, eu até que melhorei chegando em Paris. Um pouco graças às orações da minha mãe, outro tanto pela necessidade de sobrevivência quando se está sozinho numa terra estranha, acho. Mas continuei a sentir a garganta arranhando e falta de ânimo durante quase toda a viagem. Por isso, certamente, meu olhar sobre Paris ficou prejudicado. Achei a cidade bonita, claro. Digna de ser visitada. Mas não consegui ver a tal magia de Paris, de que tanto se fala. Achei uma cidade como qualquer outra na Europa, rica em história, com seus monumentos imponentes e seu rio cortando a cidade. E também com seus problemas urbanos: em todos os pontos turísticos, é irritante a quantidade de mendigos, de gente pedindo dinheiro (vários surdos-mudos – mas os do Louvre, eu os ouvi falando), ambulantes. E todos são insistentes e vão atrás de você. A maioria das linhas do metrô é superlotada (em alguns trens, eu nem consegui entrar, tive que esperar o próximo. Quase sempre, fiquei em pé, espremida). Mas o ticket vale para metrô, trem, ônibus, o que é bem bom (embora que, na chegada, não tenha informações para turistas e tudo esteja escrito só em francês).

Por outro lado, ao contrário do que dizem, encontrei muitos franceses dispostos a dar informação na rua - eu não falando francês e eles não sabendo uma palavra em inglês. Aprendi algumas frases básicas. Entre elas, “eu não falo francês”. Ao dizer isso, a maioria me dizia algo que entendi como: “não tem problema. Eu te ajudo mesmo assim”. Por meio de gestos e por associação de palavras, eu sempre entendia. Bom, pelo menos, consegui chegar aos lugares onde queria ir.

Na maioria dos museus ou restaurantes, você só verá coisas escritas em francês, o que complica um pouco. Mas dá para se virar tranquilamente. Falando em comidas, a França é uma perdição no quesito padarias: pães variados, docinhos lindos. Mas fora isso, não tem tanta comida excelente (a menos que você não se importe em pagar muito). Os famosos macarons são docinhos de suspiro colorido com uma geleinha dentro (ahah), mais bonitos do que gostosos. Procurando delicinhas, vá para ilha de St Louis (é perto de Notre Dame). Tem uma sorveteria ótima (amo sorvete) chamada Berthillon, uma loja de biscoitos avulsos com embalagens vintage (uma graça!), a La Cure Gourmande, e uma queijaria maravilhosa. Enfim, se perca lá. Tem até bijoux de design brasileiro, a Sobral (mas aí você compra no Brasil que é beeeem mais barato. Ahaha). Depois, ande pelo Siena.

Eu fiz aquele basicão de Paris mesmo. Fui no Arco do Triunfo. Mas não vale a pena subir. A única vantagem em relação à Tour Eiffel é conseguir fazer uma foto da torre de lá, mas não cobre os 9,50 euros da subida. Vá só na Torre Eiffel mesmo. A vista de Paris de lá é linda. Ah, tem dois estágios, um até a metade, mais barato, e outro lá no topo. Vale mais o do que meio, que não é cercado por grades e dá para fazer fotos melhores. Lá de cima, com chuva e tempo feio (bem comuns em Paris) fica tudo cinza demais. O tempo em Paris não é tão agradável. Agora já é verão e fiquei sempre de casaco. Chove muito também (tive que comprar um guarda-chuva). Na Torre Eiffel, cuidado com batedores de carteira (tem avisos até no elevador da torre) e evite os ambulantes se não quiser comprar nada. Na Champs-Élysées, tem vários mendigos.

Bom, mas vamos falar das coisas legais. O Louvre. Ah, me apaixonei pelo museu! Enoooorme. Humanamente impossível de percorrer os quatro andares dos três prédios. Fiquei quase sete horas lá (fora a fila, mais de uma hora. Só para a revista). Coleção maravilhosa, completíssima e prédio lindo. Lá estão o Código de Hamurabi (o das aulas de história, lembra?), muita coisa do Egito antigo, a Vênus de Milo e, claro, a Monalisa. Mas o quadro de Leonardo da Vinci, na verdade, é bem pequeno e cercado de turistas. Ah, dá para fazer fotos de tudo, só não pode usar flash. E a entrada é baratinha: dez euros. Impossível não lembrar do filme O Código da Vinci na pirâmide. Ahaha.

Para visitar a nave principal das igrejas não é preciso pagar em Paris (a menos que queira subir na torre ou ver os tesouros). Sacre Coeur, de Montmartre, tem uma vista linda de parte da cidade. Em Notre Dame tem fila de turistas, mas não vi nada de mais. Falando em Notre Dame, na porta, diz que não se pode entrar com mala ou mochila. Eu estava com uma mala, mas vi um monte de gente entrando com bolsas enormes. Fui para fila. Ninguém te para. Os cartazes tbm pedem que não se faça fotos, mas todo mundo faz (em Sacre Coeur não tente ou te pedirão para sair da igreja). No Museu d’Orsay tbm tava lá o cartaz proibindo entrada com malas. Eu entrei com a minha (tem guardador lá dentro). O D’Orsay fica numa antiga estação de trens, super charmosa, e vale se você gosta de impressionistas, como Monet, Manet, Degas e Renoir (mas, claro, tbm tem várias outras coisas. Eu falo dos impressionistas pq gosto muito).

Para terminar, Montmartre (onde fiquei em Paris). É uma vizinhança super charmosa. Lugar do Moulin Rouge (tem filas enormes para os espetáculos) e do Cafe des Deux Moulins, o café do filme Amelie Poulain. Ali na região do Moulin Rouge tbm tem muitas sex shops, casas de shows eróticos e até um museu de erotismo.

Tem uma Paris para cada gosto. A cidade é bem mais do que seus estereótipos.
Fotos de Paris: https://picasaweb.google.com/101126651209934567449/Paris20A23062011

P.S: desci no aeroporto de Beauvais (fica a uns 80 kms de Paris. As cias de baixo custo, como Ryanair, voam para lá). Tem que pegar um ônibus até Porte Maillot, em Paris, que custa 15 euros - ou 30 o return ticket - e leva uma hora e meia. De lá, você pega o metrô, que tem estação ali ao lado).

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